Em março de 2026, um vídeo falso sobre o prefeito de uma capital brasileira foi visto mais de 12 milhões de vezes em 48 horas. O vídeo mostrava o prefeito, supostamente, confessando um esquema de corrupção. Era uma deepfake — gerada por inteligência artificial, com voz e imagem sintéticas.

O vídeo foi desmentido em poucas horas por múltiplos veículos de checagem. Mas o desmentido teve 200 mil visualizações. A desinformação teve 60 vezes mais alcance do que a correção.

Essa assimetria — entre a velocidade e o alcance da mentira e da verdade — é o problema central da desinformação. E não tem solução técnica simples.

Como funciona a indústria

A investigação da Fonte Confiável identificou três camadas na indústria da desinformação brasileira.

A primeira é a produção: criadores de conteúdo — alguns profissionais, muitos amadores — que produzem vídeos, posts e áudios falsos ou enganosos. Alguns são motivados por ideologia, outros por dinheiro (conteúdo viral gera receita de publicidade), outros por ambos.